Jô Soares: muito além do riso, um ícone da TV brasileira
A semente do que faço hoje foi plantada em 2007, quando entrei na faculdade de marketing para entender como narrativas criam conexões e as marcas conquistam corações. Foi ali que conheci meu amigo-irmão, Heinz Erich — apaixonado pelo Programa do Jô. O que nos hipnotizava era ver “gente como a gente” sendo acolhida por Jô Soares com uma atenção, inteligência e humanidade.
Ouso dizer que ele democratizou o afeto na TV porque não fazia distinção entre anônimos e famosos.
Jô Soares nos mostrou que o humor é a porta de entrada para conversas sérias e que grandes comunicadores não apenas se apresentam ao público, mas o fazem se reconhecer.

Quase vinte anos depois, essa semente germinou. Jô Soares é, sem dúvida, uma das maiores inspirações para minha série de podcasts (sim, serão videocasts!) que está a caminho: um espaço para dar voz a histórias de pessoas que, embora não vivam sob os holofotes, têm um brilho imenso para compartilhar.
O gênio por trás do entrevistador: a estratégia da empatia
Em março de 2025, o documentário do SBT, “Um Gênio Chamado Jô“, recontou a trajetória desse artista multifacetado. Mais do que uma biografia, a série foi um lembrete de que Jô não tinha um programa; ele tinha uma plataforma. Cada entrevista, cada cena, revelava a simplicidade extraordinária de um homem cujo maior talento era ser um maestro da empatia. O sofá não era apenas um móvel, era um ativo de branding construído sobre a escuta genuína.
Você pode até não gostar do artista, do estilo do humor ou do entrevistador, mas não pode negar o brilhantismo que ele carrega em toda a sua trajetória que é, sim, um grande sucesso.
Cada entrevista, cada cena, narrava com leveza a simplicidade surpreendente de um homem que viveu entre o palco e o coração da audiência. Jô Soares é, antes de tudo, um maestro da empatia -— na minha opinião, claro.
A estratégia do riso: humor como ferramenta de crítica
A inteligência de Jô Soares transformava o riso em pensar com reflexão. Personagens como o Capitão Gay, o Reizinho e o icônico Zé da Galera não eram apenas esquetes; eram arquétipos que traduziam as contradições brasileiras sem cair no clichê.
Era um humor consciente, afiado, que nascia de um olhar inquieto sobre o mundo. Jô dominava a arte de se mover entre a sátira e a reverência, sendo abrasivamente afetuoso com o nosso cotidiano.
O ecossistema de conteúdo de Jô: da TV à literatura
Muito antes de falarmos em “marketing de conteúdo”, Jô Soares já construía seu ecossistema. Além da TV, ele era um escritor prolífico. Obras como Xangô de Baker Street e sua autobiografia, O Livro de Jô, expandiam seu universo, misturando suspense, crítica social e um humor refinado.
Sua escrita elegante e erudição acessível provavam que era possível analisar o Brasil com profundidade, sem perder a alegria. Cada crônica parecia dizer: “o riso é estratégia, a leitura é remédio”.
Jô Soares: um legado de diálogo num tempo de monólogos
Jô foi o arquiteto de um estilo de entrevista brasileiro que hoje parece artigo de luxo: uma mistura de escuta, afeto e cultura. Por quase três décadas, em programas como Jô Soares Onze e Meia e o Programa do Jô, seu palco se tornou um oásis para o pensamento crítico, livre da tirania da pauta rasa. Ele sentava políticos e poetas no mesmo sofá, tratando ambos com a mesma curiosidade.
Feminista sem palanque e ouvinte sem pedestal, ele era elegante até para se posicionar. Quando questionado sobre sua sexualidade, respondeu com a graça de sempre: “Eu jogo em outro time, mas defendo a causa”. Uma aula de posicionamento para a época.
A lição final: escutar é um ato revolucionário
Jô Soares nos deixou em 5 de agosto de 2022, mas para entender por que seu legado é mais atual do que nunca, precisamos lembrar do palco onde ele atuava. Na era Jô Soares, a mídia era um ecossistema de poucos canais, produção centralizada e consumo programado. A atenção não era fracionada em um feed infinito; as pessoas se sentavam para assistir. Comunicadores como ele tinham o luxo do tempo: o luxo de uma escuta sem pressa, de um silêncio pensado, de uma conversa que podia respirar.
Hoje, vivemos o exato oposto: um oceano de conteúdo instantâneo onde a velocidade supera a profundidade e os algoritmos premiam o clique rápido, não a conexão real.
É neste cenário de promessas vazias e ruído constante que o “método Jô” se torna um ato revolucionário. Dar voz ao outro com gentileza e atenção genuína não é mais apenas a base da boa comunicação. É um ato de resistência.
E eu resisto.
Resisto ao me recusar a consumir áudios e vídeos em velocidade 2x.
Resisto ao exercitar a escrita e resgatar um blog para ser lido sem pressa.
Faço isso porque meu cérebro pede profundidade.
Minha personalidade se expressa na calma.
E minha identidade é construída sobre o respeito à alma.
Para encerrar, deixo aqui uma aula magna sobre inteligência e brasilidade: a entrevista emocionante de Jô com Ariano Suassuna. Dois gigantes em um diálogo que é pura poesia e sabedoria.
Fontes de: Imagem GShow / Vídeo Programa do Jô
Conteúdo desenvolvido com Inteligência Artificial (IA) e Inteligência Orgânica (IO):
ChatGPT 🤝 Nice de Paula

Empreendedora desde 2012, trago no olhar curiosidade; na bagagem, a experiência de quem viu o mundo analógico se transformar em digital, mergulhando nessa mudança com entusiasmo e propósito. Com duas graduações, algumas especializações, sigo aprendendo, reinventando caminhos, explorando novas rotas para conectar ideias a pessoas.
